Que tal isto como ideia para uma pequena historia.
Acompanhamos o dia a dia dum grupo de pessoas que se reúnem regularmente e que fazem parte dum rancho folclórico. Durante uma noite da semana ensaiam as danças e os cantares. Existem rapazes e raparigas novas, existem pessoas de meia idade, e existem pessoas já mais entradas nos anos finais da vida. Com o passar dos dias e das semanas o ensaiador começa a notar que o ritmo do rancho diminui, que dançam com menor vigor e com menos rapidez. Ele dá então conta que tudo se deve a um velhote do grupo que já não consegue acompanhar os demais. O velhote está doente. A sua doença diminui-lhe o ritmo da vida. As forças já não são as mesmas, os olhos já não vêm o que viam, as pernas tremem-lhe, os ouvidos moucam. Mas ele é o repositor das historias do rancho, das muitas viagens, dos atropelos. Das coisas engraçadas e menos engraçadas. Das medalhas e prémios. Os convivios e festivais. As feiras e mercados. Os bailes e ajuntamentos de rua. As pessoas e multidões. Os autocarros antigos. Os pneus furados. A fome, a fartura. A gula e a falta dela. As raparigas bonitas quando as raparigas bonitas só podiam ser raparigas bonitas na janela das suas casas numa serenata á chuva. Conhece como ninguém as velhas tradições, os antigos costumes. Se alguma coisa de autêntico dá alma ao rancho é ele. Ele é a ligação com a terra como ela era há muito, muito tempo atrás. Mas como também não sabe cantar, é expulso. E o rancho volta a dançar vigorosamente. Já pode dançar o fandango, o vira, o bailinho da Madeira. Já é possível incluir aquele número de acrobacia. Já podem ir dançar a França, ao Brasil, á Venezuela e a New Jersey porque agora já não existe alguém que se recusava a tirar o passaporte e o bilhete de identidade. Já não têm que ouvir as histórias chatas, as idas á Igreja. Já não é preciso aturar as dentaduras postiças. Já não é preciso aturar o cheiro a sopa e a enchidos. Já não é preciso aturar o velho.
Acompanhamos o dia a dia dum grupo de pessoas que se reúnem regularmente e que fazem parte dum rancho folclórico. Durante uma noite da semana ensaiam as danças e os cantares. Existem rapazes e raparigas novas, existem pessoas de meia idade, e existem pessoas já mais entradas nos anos finais da vida. Com o passar dos dias e das semanas o ensaiador começa a notar que o ritmo do rancho diminui, que dançam com menor vigor e com menos rapidez. Ele dá então conta que tudo se deve a um velhote do grupo que já não consegue acompanhar os demais. O velhote está doente. A sua doença diminui-lhe o ritmo da vida. As forças já não são as mesmas, os olhos já não vêm o que viam, as pernas tremem-lhe, os ouvidos moucam. Mas ele é o repositor das historias do rancho, das muitas viagens, dos atropelos. Das coisas engraçadas e menos engraçadas. Das medalhas e prémios. Os convivios e festivais. As feiras e mercados. Os bailes e ajuntamentos de rua. As pessoas e multidões. Os autocarros antigos. Os pneus furados. A fome, a fartura. A gula e a falta dela. As raparigas bonitas quando as raparigas bonitas só podiam ser raparigas bonitas na janela das suas casas numa serenata á chuva. Conhece como ninguém as velhas tradições, os antigos costumes. Se alguma coisa de autêntico dá alma ao rancho é ele. Ele é a ligação com a terra como ela era há muito, muito tempo atrás. Mas como também não sabe cantar, é expulso. E o rancho volta a dançar vigorosamente. Já pode dançar o fandango, o vira, o bailinho da Madeira. Já é possível incluir aquele número de acrobacia. Já podem ir dançar a França, ao Brasil, á Venezuela e a New Jersey porque agora já não existe alguém que se recusava a tirar o passaporte e o bilhete de identidade. Já não têm que ouvir as histórias chatas, as idas á Igreja. Já não é preciso aturar as dentaduras postiças. Já não é preciso aturar o cheiro a sopa e a enchidos. Já não é preciso aturar o velho.
